Alô Bruna? Quem fala é a Sandra, mãe do Caio que precisa de aula particular. Qual é o método de ensino que você utiliza?
- Sandra, o método que ensino não tem um nome específico, é o meu método. Mas me inspiro no Vygotsky, Freire, Piaget etc.
- Ah...
Até parece que é de fato Sandra mãe do Caio... pode ser qualquer coisa mas esta, definitivamente não é uma pergunta que uma mãe faz em particular. A mãe geralmente começa assim: Bruna, é a Sonia mãe do Lucas, que tirou 4,5 em Matemática e 5,0 em Português e História, não é Lucas? Então, eu não sei mais o que fazer com esse menino Bruna, você me entende, ele não presta atenção quando tento explicar, tenho mais dois filhos, trabalho, arrumo a casa, meu marido nervoso e estou prestes a surtar!?!?
- Calma Sonia, diminua um pouco o excesso de cobrança de tanta responsabilidade. Vamos lá......
Agora, para que a Sandra me entendesse, teríamos que tomar um cafezinho para explicar melhor:
"Não é possível formar um sujeito autônomo sem liberdade"
Ao longo do tempo, percebi que ser professor é como uma ponte que liga o aluno ao conteúdo. Para que ocorra sem maiores interferências, é preciso respeitar o que o aluno quer e saber o QUE naquele momento ele está disposto a aprender. Cumprir os prazos impostos pelas obrigações, mas estudar com maior profundidade o que o interessa mais naquele momento.
Sabemos que o conteúdo é flutante e transdisciplinar, mas isso geralmente não vem sendo levado em consideração atualmente nas escolas.
Na Escola da Ponte em Portugal, não há salas de aula, provas para teste de conhecimento valendo pontos, divisão por idade, carteiras, entre outras características. Foram comparados os resultados obtidos pelos ex-alunos da Escola da Ponte com as classificações obtidas pelos alunos de outras escolas e concluíram que os ex-alunos da Ponte, obtiveram melhores resultados no currículo do que os ex-alunos de outras escolas. Isso se explica diante da prioridade da escola quanto ao respeito e à atenção que é dada a cada aluno, individualmente. Estimulam os alunos a compartilharem e não a competirem entre si, com a finalidade de mostrar a importância da ajuda ao próximo. Além disso, valorizam a naturalidade do ensino, já que nada é feito de forma mecanizada.
Ao chegarem, os alunos optam por áreas de interesse e são desenvolvidos projetos de pesquisa individuais e em grupo. A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares.
De acordo com meu entendimento, o mundo ideal seria seguir um modelo como o adotado pela escola da Ponte, mas enquanto não acontece no Brasil, devemos nos adaptar ao modelo desta cultura regional permitindo que o aluno realize o que estiver predisposto a aprender, respeitando a naturalidade do ensino e as determinações da escola.
Acredito mesmo que este seja o melhor caminho para o desenvolvimento da autonomia, a qual é fundamental ser construída também em um ambiente educacional, seja ele qual for...

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