21 de novembro de 2011

Particularidades em um universo particular

Um aspecto bastante relevante que observo no decorrer destes anos como professora particular é que, independente da escola, um conjunto de forças precisa estar envolvido no processo da aprendizagem: o equilíbrio familiar, a auto-estima do aluno, a relação com o sucesso e a noção do efeito das consequencias.

Quero dizer que, um aluno pode estudar em uma das melhores escolas, mas o excesso de exigências poderá acarretar prejuizos comportamentais. Chegam para a aula completamente sem energia, cansados psicologicamente e emocionalmente. A partir daí, a personalidade entra em ação e me impressiona ver aquela criança com sono, os olhos se fechando, mas a obrigação "gritando" mais alto. Geralmente conseguimos chegar até o fim. Quando esta energia esgotada não se mistura com a própria motivação, não há como o resultado ser positivo.

O que leva os pais a alimentarem esta ânsia de querer tornar seus filhos projetos de seus próprios desejos, uma vez frustrados? A mãe queria ser bailarina, faz ballet.... o pai, desejaria ser lutador ou falar ao menos uma língua estrangeira, faz inglês e alemão, judô, a avó sonha .... e a criança é quem sofre com este excesso de atividades. Conclusão: ou é hiper-agitada e não se concentra em nada do que faz (geralmente recebem o diagnóstico de TDAH), e as aulas de reforço tornam-se a extensão da falta de freio que para reverter, conto somente com o apoio dos pais.

No caso dos hipo-atentos,  a aula particular pode ser ou um suplício ou um momento interessante para eles. Estão cansados e  não querem escrever, ler algum texto, fazer exercícios e principalmente cálculos matemáticos. Pode acontecer quando não há uma disciplina nos horários em casa e dormem tarde. Tem muitos adultos que resolvem todos os seus problemas do cotidiano prontamente e por isso, geralmente odeiam fazer problemas matemáticos, se negam a ter o trabalho de pensar.

Muitos canalizam a atenção para o que mais gostam ou estão acostumados a fazer como: mexer no celular, desenhar, contar histórias sobre suas vidas etc. Nestes casos, que são mais comuns eu diria, é necessário que o professor vista a sua camisa "SOU PROFESSOR" com letras garrafais. Quero dizer que depende muito da mediação e intervenção do professor para alterar este quadro, REVERSÍVEL e não sei se tenho uma fórmula para isso. É quando eu sou uma espécie de professora-artista, faço uma espécie de "stand up teaching" rs ... É verdade, canto o hino nacional se for preciso em uma aula de história, as fórmulas são escritas como notas musicais e orquestradas, recito poemas com entonações variadas e faço rimas para que alguma aprendizagem fique registrada. Estes alunos me acham muito engraçada, mas só assim que o hipo-atento presta atenção: na diversão!

Outros, podem estudar em uma escola muito fraca, mas DESEJAM aprender, realizar. Trabalham constantemente a sua auto-crítica e auto-aprendizagem. Estes são com quem mais aprendo pois a curiosidade para o saber, me faz agir na mesma direção em busca de mais conhecimento. Estes alunos conduzem as aulas naturalmente, não preciso me desgastar para convencê-lo de que precisa saber  porque ele mesmo quer saber sobre tudo. Geralmente os pais me ligam com excelentes notícias e notas...

Aqueles que eventualmente tenham dificuldades provenientes de uma base muito fraca, criam muitas expectativas para que eu seja a única saída para finalmente ler uma nota dez na prova. Estes casos são bastante complexos porque às vezes a criança quer aprender aquilo que os outros sabem, muitos sofrem bulling em decorrência desta ansiedade e geralmente estão acima do peso, possuem falhas de laços afetivos na família e causam um sentimento de impotência da minha parte.

Ser  mais uma mãe para os meus alunos é a melhor coisa do mundo, mas os que acreditam que eu farei este papel sozinha acabam se frustrando. Não tem muita saída, senão investir e motivá-lo cada vez mais, de maneira afetuosa e transparente.

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