3 de novembro de 2011

O aluno mais Especial- MEU IRMÃO

Não puder resistir a tentação de convencer o meu próprio irmão Felipe, o meu Pity, dois anos mais novo, a ser a minha cobaia. Não foi uma tarefa nem um pouco fácil porque para piorar a minha situação, ele não gostava de estuadar, de colégio, de tarefa de casa, de nada. Não tive outra alternativa senão forçá-lo à quela situação, com diveras chantagens e muitas vezes pela força mesmo. O meu prazer era ensiná-lo a ser gente. Felipe suplicava:
-"Não Muna (ele ainda não conseguia falar Bruna), eu não quero, por favor!"
Eu respondia solenemente:
- Você só sairá deste quarto quando terminar de fazer o que eu mandar. - E Já pegava um giz branco para iniciar a aula.
- Você promete que quando eu terminar posso sentar no banco carona do carro da mamãe?
- Vou pensar no seu caso.
A metodologia da aula com o meu irmão tinha que ser diferente pois era alguém de carne e osso... Não tinha a máquina de datilografia da vovó, e só um giz e uma porta na minha frente. Percebi que a única alternativa que tinha era criar, inventar algo bem diferente para prender a atenção daquele pestinha apimentado.Utilizar cadernos ou livros nem pensar, ele ia acabar os zunindo pela varanda do nosso apartamento. 
Percebi que ensinar somente Matemática OU Português para o Felipe era uma grande perda de tempo. Ele era agitado demais (hoje sei que o nome disso é Hiperatividade), os textos que o interessavam eram sobre robôs ou super-heróis.
Sem saber, comecei a praticar a Numerologia, estudo que muito tempo depois, tive a curiosidade de conhecer, mas a minha intenção na época era bem diferente. Cada letra representava um número de acordo com a sua posição na ordem alfabética, porém a Numerologia entra porque os números iam de 1 ao 9, desta forma:
1     2     3     4     5    6    7    8    9
A    B    C    D    E     F   G   H   I
J     K    L    M    N    O   P   Q   R
S    T    U     V   W    X   Y   Z

O exercício era bem simples:
1) Calcule o valor de
a) CASA + CARRO + RUA =
b) RATO - COBRA + CACHORRO=

Desta forma para o desespero contido no meu irmão, ele tinha que ver na tabela a correspondência da posição da letra e somar todas de cada palavra. Não era para saber sobre a personalidade de acordo com as letras do nome completo de alguém, mas estimular alguma coisa, que ainda não tinha sentido para ele, somente para mim.
Na verdade ele estava resolvendo uma espécie de expressão matemática criada por sua irmã tão maluquinha quanto ele.
Ao terminar esta tarefa, apenas esta (não poderia ter outra), ele estava livre daquela bruxa severa. Não queria escutar a sua nota porque estava mais interessado em outros assuntos.
Mais uma vez , sem perceber, introduzi noções de Português e Matemática em um mesmo contexto. Desde então, não vejo outra fórmula para a melhor didática que a interdisciplinaridade.

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