12 de dezembro de 2011

Bullying- O perigo no meio do caminho


Posso afirmar que sei o que é sofrer de Bullying porque passei por isso em um período da minha vida. No meu caso não sofri porque estava acima do peso, como acontece na grande maioria dos casos, mas aos 9 anos, era tão DENTUÇA quanto o Mr. Bearns dos Simpsons. Para frente e com os dentões da frente separados o suficiente para caber um "dente de leite" no meio. Via o meu estojo voar pela sala, as meninas mais tchutchukas me desprezando solenemente e tinha apenas uma amiga, que tão tímida quanto eu, falava o estritamente necessário.

Ficávamos as duas, cada uma na parte mais alta de um escorrega, comendo o nosso lanche em silêncio. Éramos muito amigas e cúmplices pelo fato de uma compreender a angústia da outra, sem apontar defeitos ou críticas.
A gota d'água aconteceu em um restaurante, com meus pais e meu irmão, quando VI e ESCUTEI uma mãe apontar para mim e falar com a filha :
 -Se você não usar aparelho nos dentes vai ficar igual aquela menina ali.
Escutei letra por letra... Meu pai já tinha pedido a conta e, na hora, sem comunicar a ninguém, fui até a mesa desta senhora e, aos berros, mandei o meu recado tão sutil quanto um rinoceronte:
- Vá pra PQP... olhei nos olhos dela e saí correndo, chorando copiosamente...
Foi um desabafo, meus pais desnorteados, sem entender nada até que tive fôlego e contei. Meu pai apenas disse que eu fiz bem, mas não deveria ter virado às costas e sim encarar "de frente" a situação. Na hora pedi uma solução "na frente" e na semana seguinte já estava usando aparelho fixo.

Como nutricionista, escutava muito o discurso dos pequeninos pacientes:
"Me chamam de baleia na escola", " As meninas me chamam de bola", etc...
Nestes casos, achava interessante relatar o meu caso "dentário" para os meus pacientes fofinhos, pois apesar das questões serem diferentes, para lidar com situações como estas, só funciona mesmo com a fórmula: DESEJO + DETERMINAÇÃO= MUDANÇA. Como mediadora, entrei com a didática, cumplicidade, a restrição calórica e atividade física.

No meu caso, tive que contar com a ajuda financeira da meu pai para pagar o tratamento dentário, mas para um resultado eficaz, dependia muito mais de mim, seguir à risca as determinações do dentista. No caso das crianças com sobrepeso, todas apareceram no mês seguinte mais magras e agradecidas.

Um aluno que precisa de nutricionista é algo incomum, mas acontece. Tentei de toda maneira ajudar uma aluna a superar as péssimas notas, em um escola de péssima qualidade e resolver isso era a meta principal. Com muito esforço dela própria, mas com a total falta de colaboração do colégio dentre outras dificuldades associadas (como o próprio "bullying- sobrepeso"), repetiu o 5º ano.

Recebi a ligação do pai, triste, mas com a  esperada notícia. Sugeri que este fato fosse o ponto de partida para a mudança da escola e para um melhor preparo para avançar nos estudos. Quando pediu para falar comigo, utilizei mais uma vez o meu exemplo, neste caso, porque repeti  a 7ª série, atual 8ºano, o qual foi fundamental para que eu adquirisse mais maturidade.

Ela simplesmente respondeu:- "Tia, eu nunca vou me esquecer do seu misto quente". Mesmo percebendo  o grau de profundidade desta afirmação, tenho certeza que no próximo ano, os problemas principais na escola serão resolvidos.
É claro que tentarei fazer um misto quente mais light para ela, mas talvez nem seja preciso porque pode aparecer magrinha e feliz, quem sabe?

Depende dela somente...EU SEMPRE ACREDITO!



30 de novembro de 2011

Autonomia para aprender

Alô Bruna? Quem fala é a Sandra, mãe do Caio que precisa de aula particular. Qual é o método de ensino que você utiliza?

- Sandra, o método que ensino não tem um nome específico, é o meu método. Mas me inspiro no Vygotsky, Freire, Piaget etc.
- Ah...

Até parece que é de fato Sandra mãe do Caio... pode ser qualquer coisa mas esta, definitivamente não é uma pergunta que uma mãe faz em particular. A mãe geralmente começa assim: Bruna, é a Sonia mãe do Lucas, que tirou 4,5 em Matemática e 5,0 em Português e História, não é Lucas? Então, eu não sei mais o que fazer com esse menino Bruna, você me entende, ele não presta atenção quando tento explicar, tenho mais dois filhos, trabalho, arrumo a casa, meu marido nervoso e estou prestes a surtar!?!?

- Calma Sonia, diminua um pouco o excesso de cobrança de tanta responsabilidade. Vamos lá......

Agora, para que a Sandra me entendesse, teríamos que tomar um cafezinho para explicar melhor:

"Não é possível formar um sujeito autônomo sem liberdade"

Ao longo do tempo, percebi que ser professor é como uma ponte que liga o aluno ao conteúdo. Para que ocorra sem maiores interferências, é preciso respeitar o que o aluno quer e saber o QUE naquele momento ele está disposto a aprender. Cumprir os prazos impostos pelas obrigações, mas estudar com maior profundidade o que o interessa mais naquele momento.
Sabemos que o conteúdo é flutante e transdisciplinar, mas isso geralmente não vem sendo levado em consideração atualmente nas escolas. 

Na Escola da Ponte em Portugal, não há salas de aula, provas para teste de conhecimento valendo pontos, divisão por idade, carteiras, entre outras características. Foram comparados os resultados obtidos pelos ex-alunos da Escola da Ponte com as classificações obtidas pelos alunos de outras escolas e concluíram que os ex-alunos da Ponte, obtiveram melhores resultados no currículo do que os ex-alunos de outras escolas. Isso se explica diante da prioridade da escola quanto ao respeito e à atenção que é dada a cada aluno, individualmente. Estimulam os alunos a compartilharem e não a competirem entre si, com a finalidade de mostrar a importância da ajuda ao próximo. Além disso, valorizam a naturalidade do ensino, já que nada é feito de forma mecanizada.

 Ao chegarem, os alunos optam por áreas de interesse e são desenvolvidos projetos de pesquisa individuais e em grupo. A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares.

De acordo com meu entendimento, o mundo ideal seria seguir um modelo como o adotado pela escola da Ponte, mas enquanto não acontece no Brasil, devemos nos adaptar ao modelo desta cultura regional permitindo que o aluno realize o que estiver predisposto a aprender, respeitando a naturalidade do ensino e as determinações da escola.

Acredito mesmo que este seja o melhor caminho para o desenvolvimento da autonomia, a qual é fundamental ser construída também em um ambiente educacional, seja ele qual for...


 





24 de novembro de 2011

Medalha de Honra e Mérito - Respostas

IMAGENS QUE VALEM MAIS DO QUE MIL PALAVRAS



Estão representadas algumas imagens de homenagens espontâneas das crianças após um processo de aproximadamente dois anos de trabalho contínuo. Intessante notar que, quando atinge maior maturidade ou na adolescência, estas demonstrações de afeto e gratidão, tornam-se cada vez mais subjetivas.

Os adolescentes, principalmente os que me conhecem há mais tempo, com suas produções construídas ao londo do ano. Apresentam apostilas com as explicações das aulas, os exercícios resolvidos, telefonemas aos gritos de alegria "Bruna, Passei!" ou "Tirei Dez!" e geralmente guardam os seus trabalhos com as melhores notas.

Não há palavras para definir o que sinto ao receber presentes como estes... Acredito que seja a concretude da feliciade, maior do que a de ganhar na loteria porque não sei se esta "premiação financeira", de fato, se transforma em plenitude ao longo da vida.




21 de novembro de 2011

Particularidades em um universo particular

Um aspecto bastante relevante que observo no decorrer destes anos como professora particular é que, independente da escola, um conjunto de forças precisa estar envolvido no processo da aprendizagem: o equilíbrio familiar, a auto-estima do aluno, a relação com o sucesso e a noção do efeito das consequencias.

Quero dizer que, um aluno pode estudar em uma das melhores escolas, mas o excesso de exigências poderá acarretar prejuizos comportamentais. Chegam para a aula completamente sem energia, cansados psicologicamente e emocionalmente. A partir daí, a personalidade entra em ação e me impressiona ver aquela criança com sono, os olhos se fechando, mas a obrigação "gritando" mais alto. Geralmente conseguimos chegar até o fim. Quando esta energia esgotada não se mistura com a própria motivação, não há como o resultado ser positivo.

O que leva os pais a alimentarem esta ânsia de querer tornar seus filhos projetos de seus próprios desejos, uma vez frustrados? A mãe queria ser bailarina, faz ballet.... o pai, desejaria ser lutador ou falar ao menos uma língua estrangeira, faz inglês e alemão, judô, a avó sonha .... e a criança é quem sofre com este excesso de atividades. Conclusão: ou é hiper-agitada e não se concentra em nada do que faz (geralmente recebem o diagnóstico de TDAH), e as aulas de reforço tornam-se a extensão da falta de freio que para reverter, conto somente com o apoio dos pais.

No caso dos hipo-atentos,  a aula particular pode ser ou um suplício ou um momento interessante para eles. Estão cansados e  não querem escrever, ler algum texto, fazer exercícios e principalmente cálculos matemáticos. Pode acontecer quando não há uma disciplina nos horários em casa e dormem tarde. Tem muitos adultos que resolvem todos os seus problemas do cotidiano prontamente e por isso, geralmente odeiam fazer problemas matemáticos, se negam a ter o trabalho de pensar.

Muitos canalizam a atenção para o que mais gostam ou estão acostumados a fazer como: mexer no celular, desenhar, contar histórias sobre suas vidas etc. Nestes casos, que são mais comuns eu diria, é necessário que o professor vista a sua camisa "SOU PROFESSOR" com letras garrafais. Quero dizer que depende muito da mediação e intervenção do professor para alterar este quadro, REVERSÍVEL e não sei se tenho uma fórmula para isso. É quando eu sou uma espécie de professora-artista, faço uma espécie de "stand up teaching" rs ... É verdade, canto o hino nacional se for preciso em uma aula de história, as fórmulas são escritas como notas musicais e orquestradas, recito poemas com entonações variadas e faço rimas para que alguma aprendizagem fique registrada. Estes alunos me acham muito engraçada, mas só assim que o hipo-atento presta atenção: na diversão!

Outros, podem estudar em uma escola muito fraca, mas DESEJAM aprender, realizar. Trabalham constantemente a sua auto-crítica e auto-aprendizagem. Estes são com quem mais aprendo pois a curiosidade para o saber, me faz agir na mesma direção em busca de mais conhecimento. Estes alunos conduzem as aulas naturalmente, não preciso me desgastar para convencê-lo de que precisa saber  porque ele mesmo quer saber sobre tudo. Geralmente os pais me ligam com excelentes notícias e notas...

Aqueles que eventualmente tenham dificuldades provenientes de uma base muito fraca, criam muitas expectativas para que eu seja a única saída para finalmente ler uma nota dez na prova. Estes casos são bastante complexos porque às vezes a criança quer aprender aquilo que os outros sabem, muitos sofrem bulling em decorrência desta ansiedade e geralmente estão acima do peso, possuem falhas de laços afetivos na família e causam um sentimento de impotência da minha parte.

Ser  mais uma mãe para os meus alunos é a melhor coisa do mundo, mas os que acreditam que eu farei este papel sozinha acabam se frustrando. Não tem muita saída, senão investir e motivá-lo cada vez mais, de maneira afetuosa e transparente.

9 de novembro de 2011

Quem me navega é o mar -A Educação é uma bússola

“À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”. Jaques Delors

Concordo com a metáfora utlizada por Delors para compreender os elementos fundamentais da educação e considero que a bússola a que se refere é o professor, a escola, seu círculo social e a família. Estes elementos, são como quatro pontos cardeais, fundamentais para que o aluno efetivamente construa os pilares essenciais da educação que são:
  1. Aprender a conhecer
  2. Aprender a fazer
  3. Aprender a conviver
  4. Aprender a ser
Como a bússola, estas direções não são unidirecionais e o mais importante é que o rumo que será tomado adiante não depende apenas do professor, da escola, da família ou apenas do aluno, mas de um conjunto destas forças que navegam juntas para conduzir a um melhor aproveitamento da aprendizagem.




Aulas Particulares - Vivências de um micro para um macro universo

O meu primeiro aluno como profissional da educação, era uma espoleta de 9 anos, estava no 4ºano, estudava em uma escola com propostas construtivistas,  mas com práticas desconstrutivas. Me refiro ao excesso de liberdade que impede, principalmente nas crianças mais agitadas, ou 'hiperativas', um desempenho progressivo, que tenha disciplina e atenção como características em construção mas que deveriam ser constantemente trabalhadas e incentivadas .
O aluno fica imerso em uma abstração, diante de inúmeras tarefas que precisa desempenhar, sem que haja um propósito e um aprofundamento. Não consegue estabelecer limites para si e não importa o que esteja ao seu redor, porque não compreende a importância destes para o seu próprio bem estar e equilíbrio. Por isso, que em certos casos, o aluno agitado acaba desconstruindo seu progresso porque também está em uma escola que o torna ainda mais ativo. Não no sentido de sua produção, mas no de seu comportamento.
O L. foi um aluno tive,  para comprovar empiricamente a proporção da minha paciência e determinação para tentar mudar algo que parecia não ter mais jeito. Achava que já tinha feito este teste de resistência quando ensinava o" Numerologuês" para o meu irmão. Este por sua vez, também foi desconstruído por escolas semelhantes a do L. e outro fator importante em ambos, foi a ausência de limites nos lares.

FAMÍLIA QUE NÃO IMPÕE LIMITES + ESCOLA QUE DESCONSTRÓI =  ENERGIA EXTRAVASADA EM MÚLTIPLAS DIREÇÕES = FALTA DE FOCO

Não consegui ir adiante neste trabalho porque o seu contexto familiar não contribuiu para isso, mas considero fundamental este ponto de partida porque consegui superar os meus próprios limites, mesmo que já estivesse acostumada com isso.


O meio do caminho

Minhas contradições não estavam somente em torno da carreira profisssional.  Até que exatamente no dia do meu aniversário, fiz uma festa onde conheci o grande amor da minha vida. Nos casamos e ele foi o maior incentivador em relação ao FAÇA O QUE VOCÊ GOSTA DE VERDADE DE FAZER.
Eu sabia o que era mas não COMO fazer isso. Trabalhar em escolas, claro... Mas na época eu estava ajudando a minha mãe na Locadora. Parece que sempre que minha mãe precisa de mim, as soluções aparecem por amor.
Resolvi começar a dar aulas particulares de Português, Redação, Inglês e Ciências.
Meu marido, um vendedor nato me ajudou a divulgar o meu trabalho: panfletagens, anúncios na internet, enfim....fiz de tudo para ter o meu primeiro aluno.
Neste meio do caminho,  dava aulas de Educação Nutricional em um curso para babás e baby sitters e isso foi muito importante para a minha desenvoltura profissional.
Finalmente, recebi a ligação de uma mãe desesperada cujo fiho precisava de aulas particulares.
ASSIM COMECEI EFETIVAMENTE A MINHA JORNADA PROFISSIONAL COMO PROFESSORA DE CRIANÇAS: O QUE SEMPRE QUIS FAZER DA MINHA VIDA


Nunca abandonei ou abandonarei a Pedagogia

Concomitante à Pós Graduação em Nutrição Materno Infantil, iniciei o Curso de Pedagogia na UNESA, tão pertinho da minha casa. Deus ajuda mesmo, pois durante 4 anos fazia viagens diárias para Niterói de ônibus que muitas vezes duravam 4 horas do meu dia, e me faziam chorar muito escutando a "Hora do Brasil" no retorno para casa.
Na Faculdade de Pedagogia me esbaldo, é o local que me identifico, me faz bem. Só fico um pouco preocupada com a formação de professores que não sabem escrever bem, algo comum no curso.
Todas estas experiências são válidas e em relação ao trabalho, tínhamos uma locadora de filmes onde eu trabalhava nas férias, finais de semanas e feriados. Foi uma forma que encontrei de conseguir um dinheirinho extra porque até então não estava vendo dinheiro como Nutricionista, a maioria que atendia eram adultos, doentes, obesos, diabéticos .... 
Agora, quando atendia uma criança... eu adorava. Tive excelentes resultados, principalmente com os gordinhos que sofriam de "bulling" na escola. Em 1 mês voltavam bem mais magros, vaidosos, felizes e gratos. Para mim, este efeito do meu trabalho como nutricionista valia mais do que qualquer dinheiro que pudesse receber na vida!
ENSINEI CRIANÇAS A SABEREM ESCOLHER MELHOR O QUE COMER !
TRABALHEI O TEMPO INTEIRO COM A AUTO-ESTIMA , MOTIVAÇÃO E PERSEVERANÇA.

Fui uma nutricionista-professora. Ainda sou nutricionista, mas agora SOU PROFESSORA

UFFFAAAAAA





Nutrição e Educação - Um encontro às escuras

Tentei passar no vestibular para Medicina durante dois anos, mas passei em Odontologia e Nutrição para Universidade Pública. Medicina passei na particular mas fiquei com medo de arriscar.
A sorte da população brasileira é que não queria MESMO ser dentista. Não tenho habilidade manual e destreza suficientes para ficar 1 hora trabalhando em um dente.
Como nutricionista fui uma ótima professora dos pacientes porque o que fazia era dar aulas para as crianças sobre o que é uma alimentação saudável. Utilizava todos os recursos lúdicos e minha vocação para convencê-los a mudar os hábitos.
OPA! Nutricionista pode educar? Sim. Existe Nutrição em Pediatria? Sim. Posso ser nutricionista em escolas? Sim....este universo começou a me interessar bastante... Além de sempre apreciar uma boa comida, estava bem magrinha e meus pais e minha madrinha, principalmente, afirmavam veementemente que eu poderia ser uma Nutricionista rica. Minha madrinha aprovou e disse que no futuro a maior preocupação das pessoas será a alimentação. Nutricionista é chique... Realmente é muito chique.
Me formei na UFF, mas a única matéria que eu realmente gostava era nutrição infantil e psicologia. Não gostava de cortar os alimentos, analisá-los na sua composição química...nada disso. Estava decidida que faria Pós Graduação em Nutrição Materno-Infantil e foi assim que fiz na UERJ.
Eu adorei fazer esta especialização porque a educação nutricional infantil. Conheci a minha querida Professora Maria Claudia, que nasceu para ser professora e é Doutora em Nutrição, quem me orientou na elaboração da Monografia. O ato de pesquisar é algo muito instigante e por pouco fiz Mestrado em Nutrição, mas ainda não era o momento.
Resolvi dar continuidade com afinco ao curso de Pedagogia e simultaneamente dar aulas de educação nutricional no curso de babás Baby Brique.
Como Nutricionista cheguei a conclusão que ser um bom nutricionista é ser também um bom educador porque é necessário possuir características tão subjetivas quanto as de um professor para transmitir sua mensagem transformadora com afetividade, sedução, didática, paciência e acreditar que o resultado sempre será o melhor possível.

Procura-se uma profissão

Ao terminar o Ensino Médio, fiz um teste vocacional que apontou uma tendência para Psicologia. Fiquei satisfeita com o resultado, porque sempre gostei de observar o comportamento humano (principalmente o das crianças). Mesmo assim achei que fosse aparecer a palavra Professora, mas quando cheguei em casa meus pais imediatamente falaram em tom mais alto:
Pai: Filha, Você quer ser pobre?
Mãe: Bruna, na Faculdade de Psicologia só tem gente doida...
-E Pedagogia?
Os dois: Você realmente quer ser pobre... Faça Medicina filha, uma profissão que te torne respeitada, rica,...bla bla bla.
Neste momento eu fiquei muito perdida. Acho que os pais não podem interferir neste momento tão diretamente, a não ser que eu quisesse ser.....Dançarina de algum programa de auditório, DJ ou surfista.
Pensei então: ter dinheiro significa entender sobre Informática. Neste final da década de 90, Informática estava na moda, era a profissão do "futuro".
Talvez como uma certa rebeldia foi isso que resolvi fazer. Apesar de ir para a Faculdade de Informática muito mais para observar como os professores davam suas aulas do que necessariamente para compreender aquilo. Na parte Matemática, expressões, cáculos e fórmulas eu ia muito bem. Mas a lógica da programação não entrava na minha cabeça.
Depois de 1 ano lutando contra o início de uma guerra interna de realização profissional, minha mãe sofreu um erro médico em decorrência de uma cirurgia mal sucedida e fiquei cuidando dela com a Tuquinha sempre com suas palavras de apoio e mostrando para todos que de ignorante, ela só era na leitura e escrita, mas sabia muito bem resolver os problemas com carinho, compreensão e principalmente com a "mão na massa".
Filha, você tem o perfil de médica, olha só a "frieza" que consegue ver este ferimento tão sério....
Bom, vou tentar medicina, sabe?
Mas quero ser pediatra, claro...

Tuquinha- Uma aluna diferente

No decorrer da adolescência, não deixei de aproveitar o desejo de ser professora de modo algum. Meu irmão, dois anos mais novo, não queria me ver pintada de ouro para aprender mais nada comigo. Se antes já era difícil "segurá-lo", neste momento rebelde da vida dele, era algo impossível.
Tuquinha, começou a trabalhar na minha casa exatamente neste momento. Percebi que não sabia ler e escrever, quando pedi que fizesse uma receita de bolo. Dizia que só sabia escrever seu próprio nome.
Pronto! Encontrei uma aluna ideal para libertar a minha essência novamente.
Quando voltava da escola, era o momento de ensiná-la e tomar as lições e este que era o problema: Ela não fazia nenhum exercício que pedia para tentar fazer sozinha. Alegava que não tinha tempo, mas aos poucos fui percebendo que ela não estava interessada em aprender. Por isso, a considero uma aluna bem diferente , afirmava que peferia ser "ignorante" mesmo, assim que ela dizia mesmo: "sou muito burrinha".
Neste caso, o meu fracasso foi resultado da falta de motivação dela mesma, e apartir daí comecei a perceber algo muito importante: PARA APRENDER É PRECISO QUERER APRENDER
Mais tarde percebi que a Tuquinha escolheu ser ignorante, porque era mais seguro para ela mesma.
Tuquinha

3 de novembro de 2011

O aluno mais Especial- MEU IRMÃO

Não puder resistir a tentação de convencer o meu próprio irmão Felipe, o meu Pity, dois anos mais novo, a ser a minha cobaia. Não foi uma tarefa nem um pouco fácil porque para piorar a minha situação, ele não gostava de estuadar, de colégio, de tarefa de casa, de nada. Não tive outra alternativa senão forçá-lo à quela situação, com diveras chantagens e muitas vezes pela força mesmo. O meu prazer era ensiná-lo a ser gente. Felipe suplicava:
-"Não Muna (ele ainda não conseguia falar Bruna), eu não quero, por favor!"
Eu respondia solenemente:
- Você só sairá deste quarto quando terminar de fazer o que eu mandar. - E Já pegava um giz branco para iniciar a aula.
- Você promete que quando eu terminar posso sentar no banco carona do carro da mamãe?
- Vou pensar no seu caso.
A metodologia da aula com o meu irmão tinha que ser diferente pois era alguém de carne e osso... Não tinha a máquina de datilografia da vovó, e só um giz e uma porta na minha frente. Percebi que a única alternativa que tinha era criar, inventar algo bem diferente para prender a atenção daquele pestinha apimentado.Utilizar cadernos ou livros nem pensar, ele ia acabar os zunindo pela varanda do nosso apartamento. 
Percebi que ensinar somente Matemática OU Português para o Felipe era uma grande perda de tempo. Ele era agitado demais (hoje sei que o nome disso é Hiperatividade), os textos que o interessavam eram sobre robôs ou super-heróis.
Sem saber, comecei a praticar a Numerologia, estudo que muito tempo depois, tive a curiosidade de conhecer, mas a minha intenção na época era bem diferente. Cada letra representava um número de acordo com a sua posição na ordem alfabética, porém a Numerologia entra porque os números iam de 1 ao 9, desta forma:
1     2     3     4     5    6    7    8    9
A    B    C    D    E     F   G   H   I
J     K    L    M    N    O   P   Q   R
S    T    U     V   W    X   Y   Z

O exercício era bem simples:
1) Calcule o valor de
a) CASA + CARRO + RUA =
b) RATO - COBRA + CACHORRO=

Desta forma para o desespero contido no meu irmão, ele tinha que ver na tabela a correspondência da posição da letra e somar todas de cada palavra. Não era para saber sobre a personalidade de acordo com as letras do nome completo de alguém, mas estimular alguma coisa, que ainda não tinha sentido para ele, somente para mim.
Na verdade ele estava resolvendo uma espécie de expressão matemática criada por sua irmã tão maluquinha quanto ele.
Ao terminar esta tarefa, apenas esta (não poderia ter outra), ele estava livre daquela bruxa severa. Não queria escutar a sua nota porque estava mais interessado em outros assuntos.
Mais uma vez , sem perceber, introduzi noções de Português e Matemática em um mesmo contexto. Desde então, não vejo outra fórmula para a melhor didática que a interdisciplinaridade.

Infância

O Início - Meus primeiros alunos

Neste blog, pretendo relatar a minha vivência como professora particular de alunos do 1º ao 9º ano, há três anos.
Não posso deixar de registrar desde já, que me considero uma professora desde criança. Gostava desde então, de organizar bonecas e alunos invisíveis para realizarem provas, as quais preparava com a máquina de datilografia da minha avó. Lembro bem de como as teclas eram duras e o barulho que fazia. Quando ia para a casa da minha avó, gostava de passar o dia inteiro com ela, ir à Igreja, conversar com minha bisa, e principalmente comer os quitutes deliciosos que ela fazia, cortar os cabelos das bonecas com diferentes tipos de "looks", tomar Nescau na mamadeira, mas principalmente antes de dormir, dedilhava naquelas teclas rígidas palavras, questões e alternativas para alguém. Minha bisa já dormia e eu começava a dar a minha aula noturna para meus alunos imaginários.
Interessante notar que nesta sequencia de fatos, as aulas tinham começo, meio e fim. Quero dizer que colocava as bonecas em ordem, cada uma tinha um nome e uma qualidade própria. A aula seguia uma mesma linha metodológica, com orientações direcionadas para as particularidades de cada uma. Por fim, a avaliação era datilografada igulamente para todas, geralmente as cinco alunas-bonecas. Na época não  tinha impressora, e as provas tinham dez questões. Minha avó muitas vezes fazia a prova, escutava do quarto a aula, tenho quase certeza disso....nota 10!
O momento da avaliação, servia principalmente para recolher aquelas provas e dormir ao lado da minha avó amada, que por volta das 4a.m, era acordada para preparar um Nescau bem quentinho, preparado no fogão.
Quantas lembranças maravilhosas eu tenho das sensações do prazer em ensinar. Ao dormir, acreditava que todas as minhas alunas gostavam do meu modo de ensinar e já me orgulhava da minha primeira profissão.