14 de março de 2013

AI MINHA VOZ!



Minha voz é depois do coração e da cabeça, o meu bem mais precioso do mundo. É o meu instrumento de trabalho, que se entrar em um estágio de stress ou esforço, se cala rapidamente.
Trabalhar em escola do município é ter que triplicar esse cuidado. Principalmente porque as condições de trabalho não são aliadas ao esforço e dedicação do professor. As salas são desproporcionais à quantidade de alunos, o ventilador de 1915 faz mais barulho do que levanta um fio do meu cabelo, as crianças ficam suadas, exalam ainda mais calor,ficam agitadas e a sala se torna uma sauna acima de 40 graus no Rio de Janeiro.
A falta de educação familiar não é algo particular do ensino público, eu sei. Mas é mais fácil administrar a falta de limites, respeito e a agressividade quando estamos em um local mais acolhedor, fresquinho, com as moléculas mais assentadas, estabilizadas. Minha voz parece que se perde no calor, na poeira e nos gritos de certas crianças. Porém, o que mais afeta é o emocional, lidar com um clima de trabalho frio, adultos maldosos ou invejosos. Em qualquer trabalho estamos sujeitos a isso, mas na escola pública, o caldeirão fica borbulhando mais ainda. Por isso que só esfriarei quando minha voz sumir de vez e enquanto ela sair, além de conhecimentos e tudo que puder oferecer de melhor para meus pupilos, me defenderei daqueles que querem passar por cima de mim e falo diretamente para quem tiver a intenção de me prejudicar:
- Você é uma linguaruda. Sua língua dá voltas e voltas pela escola!
Minha voz sai com dificuldade, mas não perco a oportunidade de me defender de quem me faz mal e afinar cada vez mais o meu tom para propagar o bem ao meu redor.