Em todas as profissões, acredito que quando a pessoa realmente gosta do que faz, demonstra na sua vida pessoal de alguma forma. Altos executivos ou pessoas que dependem da internet para se comunicar, podem estar numa reunião em família, num lanchinho, no Natal ou aniversário, mas com os dedos nervosos no celular para ler ou escrever sei lá o quê. Muitos médicos, como a mãe de uma amiga de infância, não podia passar por uma estrada com algum acidente de trânsito no percurso, que parava para prestar socorro, mesmo que estivéssemos cantando Old Mac Donald had a farm yeah yeah uou... Uma atitude nobre e ética, mas tem cardiologista que vê pobre morrer quando está na praia.
Advogado então ... eu que o diga, não pára de pensar ou falar um segundo sequer em processos, leis, significados das palavras em latim, ações, ou em atos como processar, defender, acusar, mesmo antes de dormir, durante as refeições ou na mesa de bar. Conheci nutricionistas que adoooooooram falar sobre calorias, co posição de alimentos, mesmo devorando um Big Mac no intervalo de cursos.
No caso do professor, eu acho que a grande maioria tem uma certa mania em corrigir ou avaliar determinadas atitudes, e isso se deixar passar despercebido, pode ser muito irritante também. É muito comum o que professor seja meio "mandão" na vida pessoal: tenta corrigir os erros dos outros apontando-os como uma equação de 1º grau, uma reta, determina prazos para respostas ou atitudes, direta ou indiretamente e ainda possui uma escala de aferição automática (no seu GPS), que pode ir de 0 a 10, insuficiente a excelente, A a E e por aí vai.
Tento me policiar muito principalmente quando tenho a intenção ou pretensão de corrigir determinados comportamentos de amigos ou familiares. Mesmo assim, tenho a noção de que podem me achar incoveniente por isso. Porém sei também que nunca em qualquer conversa, com qualquer pessoa adulta, irei corrigir erros de Português, pois é deselegante, nem de História porque envolve política, religião, cultura e o contexto, além de Geografia principalmente porque odeio as decorebas geográficas e o meu GPS comete muitas falhas.
Corrigir quem quer que seja, não é educado e cada um pode ter seu ponto de vista.
Minha mãe conta que quando trabalhava em um Hotel, como secretária executiva, uma "colega" que era psicóloga quis corrigí-la afirmando que o correto era escrever que o Hotel era cinco ESTRELA, ao invés de cinco estrelaS, um gesto muito deselegante na tentativa de humilhá-la, e ainda por cima, corrigiu errado.
Em relação à Matemática, por exemplo eu simplesmente "deleto" na minha vida particular, definitivamente não gosto de calcular lucro e prejuízo e adoro gastar especialmente no mercado e cosméticos. Se chega uma conta em um restaurante, calcular, dividir, conferir os 10%, não pode ser feito por mim, não me ofereço para fazer e geralmente ou quase sempre não me solicitam para isso.
Como sou fascinada por Ciências, adoro conversar sobre este assunto: fisiologia, astronomia, seleção natural, sexualidade, anatomia, patologias, entre outros assuntos.
Mas não me controlo em pedir para o publicitário soltar o celular, o médico em curtir a viagem, o engenheiro parar de calcular tudo, o nutricionista em comer logo aquele bolo de chocolate delicioso e o advogado ser menos teimoso.
"Em metafísica, um particular é um ente distinto de um universal"
13 de janeiro de 2012
4 de janeiro de 2012
FELIZ 2012 !!!! PELO MENOS A SOMA DÁ 5 UFAAAA
Quando estava na iminência de entrar de férias, uma mãe desesperada me liga para resolver um sério problema: A filha no 8º ano precisava tirar 5,0 para passar em Matemática. Estuda em uma escola cujo nome nunca tinha ouvido falar e até bem sugestivo, que lembra algo futurista. Ao chegar para a aula, percebi que era uma adolescente muito interessada em aprender, mas com o famoso bloqueio desta matéria.
Acredito que ao chegar nesta fase, o aluno já deve ter adquirido, no mínimo, conceitos básicos como a tabuada do 2 e também quanto é a raíz quadrada de 4. Explicar que a raíz quadrada de x ao quadrado é x, não é nada fácil para quem não responde prontamente que a raiz quadrada de 4 é igual a 2, diz que é 1, 5 10, qualquer número e não o 2. Além da aversão/bloqueio pelo número 2, raíz quadrada, os pares, os quadrados,etc. Nestas horas, a paciência do professor é ainda mais importante do que fazê-lo compreender porque 2 elevado a 0 é igual a 1.
Principalmente quando o conteúdo envolve polinômios, é mais complicado ainda. O que fazer? Como em apenas 4 aulas? pode ser possível...
Utilizando um certo malabarismo para "dar um pulinho no Tibet, meditar com o Dalai Lama e voltar para o Brasil", em uma corda bamba, acreditando no equilíbrio entre as bases e as raízes para saber o momento de parar, continuar ou retomar. Em apenas 8 horas de aula? Reforçar a tabuada do dois, e de todos os números, passar pela raíz quadrada, dar um pulinho na raíz cúbica, cruzar com o produto notável, fazer longas curvas nas operações com polinômios e finalmente dar voltas em quadrados?!? Resultado: fiquei completamente rouca e cansada como se fosse ter um colapso!!!! Repetia o tempo todo que ela iria tirar pelo menos 8. Questão de honra!
Não sei o que de fato aconteceu no meio desta maluquice toda, mas a mãe me ligou logo após, dizendo que foi renovar a matricula na escola e o professor de Matemática, que estava na escola por acaso, a chamou para fazer naquele momento a prova de recuperação especial. Ao sair da prova o professor fez sinal de positivo para ela e conforme a mãe relatou indicava que a filha havia passado.
Ainda fico sem saber o que ficou por trás deste sinal, mas acredito que nesta escola, especificamente, seja bem possível que o sinal positivo indica que a renovação da matrícula garante a aprovação, só pode....
Capice?
Ahhh... Toca o telefone no dia 31, o aluno:
- Bruna, estou ligando para desejar um feliz 2012 e dizer que passei de ano!
- Eu sabia! Parabéns! Para você também, tudo de maravilhoso, lindo......
- Bruna o R. está aqui e quer falar com você.
- Oi meu anjo feliz 2012, bla bla bla!
- ah...tá...legal... tchau. PLOFT
Non capisco niente di più !!! HAPPY NEW YEAR!!!
12 de dezembro de 2011
Bullying- O perigo no meio do caminho
Ficávamos as duas, cada uma na parte mais alta de um escorrega, comendo o nosso lanche em silêncio. Éramos muito amigas e cúmplices pelo fato de uma compreender a angústia da outra, sem apontar defeitos ou críticas.
A gota d'água aconteceu em um restaurante, com meus pais e meu irmão, quando VI e ESCUTEI uma mãe apontar para mim e falar com a filha :
-Se você não usar aparelho nos dentes vai ficar igual aquela menina ali.
Escutei letra por letra... Meu pai já tinha pedido a conta e, na hora, sem comunicar a ninguém, fui até a mesa desta senhora e, aos berros, mandei o meu recado tão sutil quanto um rinoceronte:
- Vá pra PQP... olhei nos olhos dela e saí correndo, chorando copiosamente...
Foi um desabafo, meus pais desnorteados, sem entender nada até que tive fôlego e contei. Meu pai apenas disse que eu fiz bem, mas não deveria ter virado às costas e sim encarar "de frente" a situação. Na hora pedi uma solução "na frente" e na semana seguinte já estava usando aparelho fixo.
Como nutricionista, escutava muito o discurso dos pequeninos pacientes:
"Me chamam de baleia na escola", " As meninas me chamam de bola", etc...
Nestes casos, achava interessante relatar o meu caso "dentário" para os meus pacientes fofinhos, pois apesar das questões serem diferentes, para lidar com situações como estas, só funciona mesmo com a fórmula: DESEJO + DETERMINAÇÃO= MUDANÇA. Como mediadora, entrei com a didática, cumplicidade, a restrição calórica e atividade física.
No meu caso, tive que contar com a ajuda financeira da meu pai para pagar o tratamento dentário, mas para um resultado eficaz, dependia muito mais de mim, seguir à risca as determinações do dentista. No caso das crianças com sobrepeso, todas apareceram no mês seguinte mais magras e agradecidas.
Um aluno que precisa de nutricionista é algo incomum, mas acontece. Tentei de toda maneira ajudar uma aluna a superar as péssimas notas, em um escola de péssima qualidade e resolver isso era a meta principal. Com muito esforço dela própria, mas com a total falta de colaboração do colégio dentre outras dificuldades associadas (como o próprio "bullying- sobrepeso"), repetiu o 5º ano.
Recebi a ligação do pai, triste, mas com a esperada notícia. Sugeri que este fato fosse o ponto de partida para a mudança da escola e para um melhor preparo para avançar nos estudos. Quando pediu para falar comigo, utilizei mais uma vez o meu exemplo, neste caso, porque repeti a 7ª série, atual 8ºano, o qual foi fundamental para que eu adquirisse mais maturidade.
Ela simplesmente respondeu:- "Tia, eu nunca vou me esquecer do seu misto quente". Mesmo percebendo o grau de profundidade desta afirmação, tenho certeza que no próximo ano, os problemas principais na escola serão resolvidos.
É claro que tentarei fazer um misto quente mais light para ela, mas talvez nem seja preciso porque pode aparecer magrinha e feliz, quem sabe?
Depende dela somente...EU SEMPRE ACREDITO!
30 de novembro de 2011
Autonomia para aprender
Alô Bruna? Quem fala é a Sandra, mãe do Caio que precisa de aula particular. Qual é o método de ensino que você utiliza?
- Sandra, o método que ensino não tem um nome específico, é o meu método. Mas me inspiro no Vygotsky, Freire, Piaget etc.
- Ah...
Até parece que é de fato Sandra mãe do Caio... pode ser qualquer coisa mas esta, definitivamente não é uma pergunta que uma mãe faz em particular. A mãe geralmente começa assim: Bruna, é a Sonia mãe do Lucas, que tirou 4,5 em Matemática e 5,0 em Português e História, não é Lucas? Então, eu não sei mais o que fazer com esse menino Bruna, você me entende, ele não presta atenção quando tento explicar, tenho mais dois filhos, trabalho, arrumo a casa, meu marido nervoso e estou prestes a surtar!?!?
- Calma Sonia, diminua um pouco o excesso de cobrança de tanta responsabilidade. Vamos lá......
Agora, para que a Sandra me entendesse, teríamos que tomar um cafezinho para explicar melhor:
"Não é possível formar um sujeito autônomo sem liberdade"
Ao longo do tempo, percebi que ser professor é como uma ponte que liga o aluno ao conteúdo. Para que ocorra sem maiores interferências, é preciso respeitar o que o aluno quer e saber o QUE naquele momento ele está disposto a aprender. Cumprir os prazos impostos pelas obrigações, mas estudar com maior profundidade o que o interessa mais naquele momento.
Sabemos que o conteúdo é flutante e transdisciplinar, mas isso geralmente não vem sendo levado em consideração atualmente nas escolas.
Na Escola da Ponte em Portugal, não há salas de aula, provas para teste de conhecimento valendo pontos, divisão por idade, carteiras, entre outras características. Foram comparados os resultados obtidos pelos ex-alunos da Escola da Ponte com as classificações obtidas pelos alunos de outras escolas e concluíram que os ex-alunos da Ponte, obtiveram melhores resultados no currículo do que os ex-alunos de outras escolas. Isso se explica diante da prioridade da escola quanto ao respeito e à atenção que é dada a cada aluno, individualmente. Estimulam os alunos a compartilharem e não a competirem entre si, com a finalidade de mostrar a importância da ajuda ao próximo. Além disso, valorizam a naturalidade do ensino, já que nada é feito de forma mecanizada.
Ao chegarem, os alunos optam por áreas de interesse e são desenvolvidos projetos de pesquisa individuais e em grupo. A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares.
De acordo com meu entendimento, o mundo ideal seria seguir um modelo como o adotado pela escola da Ponte, mas enquanto não acontece no Brasil, devemos nos adaptar ao modelo desta cultura regional permitindo que o aluno realize o que estiver predisposto a aprender, respeitando a naturalidade do ensino e as determinações da escola.
Acredito mesmo que este seja o melhor caminho para o desenvolvimento da autonomia, a qual é fundamental ser construída também em um ambiente educacional, seja ele qual for...
- Sandra, o método que ensino não tem um nome específico, é o meu método. Mas me inspiro no Vygotsky, Freire, Piaget etc.
- Ah...
Até parece que é de fato Sandra mãe do Caio... pode ser qualquer coisa mas esta, definitivamente não é uma pergunta que uma mãe faz em particular. A mãe geralmente começa assim: Bruna, é a Sonia mãe do Lucas, que tirou 4,5 em Matemática e 5,0 em Português e História, não é Lucas? Então, eu não sei mais o que fazer com esse menino Bruna, você me entende, ele não presta atenção quando tento explicar, tenho mais dois filhos, trabalho, arrumo a casa, meu marido nervoso e estou prestes a surtar!?!?
- Calma Sonia, diminua um pouco o excesso de cobrança de tanta responsabilidade. Vamos lá......
Agora, para que a Sandra me entendesse, teríamos que tomar um cafezinho para explicar melhor:
"Não é possível formar um sujeito autônomo sem liberdade"
Ao longo do tempo, percebi que ser professor é como uma ponte que liga o aluno ao conteúdo. Para que ocorra sem maiores interferências, é preciso respeitar o que o aluno quer e saber o QUE naquele momento ele está disposto a aprender. Cumprir os prazos impostos pelas obrigações, mas estudar com maior profundidade o que o interessa mais naquele momento.
Sabemos que o conteúdo é flutante e transdisciplinar, mas isso geralmente não vem sendo levado em consideração atualmente nas escolas.
Na Escola da Ponte em Portugal, não há salas de aula, provas para teste de conhecimento valendo pontos, divisão por idade, carteiras, entre outras características. Foram comparados os resultados obtidos pelos ex-alunos da Escola da Ponte com as classificações obtidas pelos alunos de outras escolas e concluíram que os ex-alunos da Ponte, obtiveram melhores resultados no currículo do que os ex-alunos de outras escolas. Isso se explica diante da prioridade da escola quanto ao respeito e à atenção que é dada a cada aluno, individualmente. Estimulam os alunos a compartilharem e não a competirem entre si, com a finalidade de mostrar a importância da ajuda ao próximo. Além disso, valorizam a naturalidade do ensino, já que nada é feito de forma mecanizada.
Ao chegarem, os alunos optam por áreas de interesse e são desenvolvidos projetos de pesquisa individuais e em grupo. A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares.
De acordo com meu entendimento, o mundo ideal seria seguir um modelo como o adotado pela escola da Ponte, mas enquanto não acontece no Brasil, devemos nos adaptar ao modelo desta cultura regional permitindo que o aluno realize o que estiver predisposto a aprender, respeitando a naturalidade do ensino e as determinações da escola.
Acredito mesmo que este seja o melhor caminho para o desenvolvimento da autonomia, a qual é fundamental ser construída também em um ambiente educacional, seja ele qual for...
24 de novembro de 2011
Medalha de Honra e Mérito - Respostas
IMAGENS QUE VALEM MAIS DO QUE MIL PALAVRAS
Estão representadas algumas imagens de homenagens espontâneas das crianças após um processo de aproximadamente dois anos de trabalho contínuo. Intessante notar que, quando atinge maior maturidade ou na adolescência, estas demonstrações de afeto e gratidão, tornam-se cada vez mais subjetivas.
Os adolescentes, principalmente os que me conhecem há mais tempo, com suas produções construídas ao londo do ano. Apresentam apostilas com as explicações das aulas, os exercícios resolvidos, telefonemas aos gritos de alegria "Bruna, Passei!" ou "Tirei Dez!" e geralmente guardam os seus trabalhos com as melhores notas.
Não há palavras para definir o que sinto ao receber presentes como estes... Acredito que seja a concretude da feliciade, maior do que a de ganhar na loteria porque não sei se esta "premiação financeira", de fato, se transforma em plenitude ao longo da vida.
21 de novembro de 2011
Particularidades em um universo particular
Um aspecto bastante relevante que observo no decorrer destes anos como professora particular é que, independente da escola, um conjunto de forças precisa estar envolvido no processo da aprendizagem: o equilíbrio familiar, a auto-estima do aluno, a relação com o sucesso e a noção do efeito das consequencias.
Quero dizer que, um aluno pode estudar em uma das melhores escolas, mas o excesso de exigências poderá acarretar prejuizos comportamentais. Chegam para a aula completamente sem energia, cansados psicologicamente e emocionalmente. A partir daí, a personalidade entra em ação e me impressiona ver aquela criança com sono, os olhos se fechando, mas a obrigação "gritando" mais alto. Geralmente conseguimos chegar até o fim. Quando esta energia esgotada não se mistura com a própria motivação, não há como o resultado ser positivo.
O que leva os pais a alimentarem esta ânsia de querer tornar seus filhos projetos de seus próprios desejos, uma vez frustrados? A mãe queria ser bailarina, faz ballet.... o pai, desejaria ser lutador ou falar ao menos uma língua estrangeira, faz inglês e alemão, judô, a avó sonha .... e a criança é quem sofre com este excesso de atividades. Conclusão: ou é hiper-agitada e não se concentra em nada do que faz (geralmente recebem o diagnóstico de TDAH), e as aulas de reforço tornam-se a extensão da falta de freio que para reverter, conto somente com o apoio dos pais.
No caso dos hipo-atentos, a aula particular pode ser ou um suplício ou um momento interessante para eles. Estão cansados e não querem escrever, ler algum texto, fazer exercícios e principalmente cálculos matemáticos. Pode acontecer quando não há uma disciplina nos horários em casa e dormem tarde. Tem muitos adultos que resolvem todos os seus problemas do cotidiano prontamente e por isso, geralmente odeiam fazer problemas matemáticos, se negam a ter o trabalho de pensar.
Muitos canalizam a atenção para o que mais gostam ou estão acostumados a fazer como: mexer no celular, desenhar, contar histórias sobre suas vidas etc. Nestes casos, que são mais comuns eu diria, é necessário que o professor vista a sua camisa "SOU PROFESSOR" com letras garrafais. Quero dizer que depende muito da mediação e intervenção do professor para alterar este quadro, REVERSÍVEL e não sei se tenho uma fórmula para isso. É quando eu sou uma espécie de professora-artista, faço uma espécie de "stand up teaching" rs ... É verdade, canto o hino nacional se for preciso em uma aula de história, as fórmulas são escritas como notas musicais e orquestradas, recito poemas com entonações variadas e faço rimas para que alguma aprendizagem fique registrada. Estes alunos me acham muito engraçada, mas só assim que o hipo-atento presta atenção: na diversão!
Outros, podem estudar em uma escola muito fraca, mas DESEJAM aprender, realizar. Trabalham constantemente a sua auto-crítica e auto-aprendizagem. Estes são com quem mais aprendo pois a curiosidade para o saber, me faz agir na mesma direção em busca de mais conhecimento. Estes alunos conduzem as aulas naturalmente, não preciso me desgastar para convencê-lo de que precisa saber porque ele mesmo quer saber sobre tudo. Geralmente os pais me ligam com excelentes notícias e notas...
Aqueles que eventualmente tenham dificuldades provenientes de uma base muito fraca, criam muitas expectativas para que eu seja a única saída para finalmente ler uma nota dez na prova. Estes casos são bastante complexos porque às vezes a criança quer aprender aquilo que os outros sabem, muitos sofrem bulling em decorrência desta ansiedade e geralmente estão acima do peso, possuem falhas de laços afetivos na família e causam um sentimento de impotência da minha parte.
Ser mais uma mãe para os meus alunos é a melhor coisa do mundo, mas os que acreditam que eu farei este papel sozinha acabam se frustrando. Não tem muita saída, senão investir e motivá-lo cada vez mais, de maneira afetuosa e transparente.
Quero dizer que, um aluno pode estudar em uma das melhores escolas, mas o excesso de exigências poderá acarretar prejuizos comportamentais. Chegam para a aula completamente sem energia, cansados psicologicamente e emocionalmente. A partir daí, a personalidade entra em ação e me impressiona ver aquela criança com sono, os olhos se fechando, mas a obrigação "gritando" mais alto. Geralmente conseguimos chegar até o fim. Quando esta energia esgotada não se mistura com a própria motivação, não há como o resultado ser positivo.
O que leva os pais a alimentarem esta ânsia de querer tornar seus filhos projetos de seus próprios desejos, uma vez frustrados? A mãe queria ser bailarina, faz ballet.... o pai, desejaria ser lutador ou falar ao menos uma língua estrangeira, faz inglês e alemão, judô, a avó sonha .... e a criança é quem sofre com este excesso de atividades. Conclusão: ou é hiper-agitada e não se concentra em nada do que faz (geralmente recebem o diagnóstico de TDAH), e as aulas de reforço tornam-se a extensão da falta de freio que para reverter, conto somente com o apoio dos pais.
No caso dos hipo-atentos, a aula particular pode ser ou um suplício ou um momento interessante para eles. Estão cansados e não querem escrever, ler algum texto, fazer exercícios e principalmente cálculos matemáticos. Pode acontecer quando não há uma disciplina nos horários em casa e dormem tarde. Tem muitos adultos que resolvem todos os seus problemas do cotidiano prontamente e por isso, geralmente odeiam fazer problemas matemáticos, se negam a ter o trabalho de pensar.
Muitos canalizam a atenção para o que mais gostam ou estão acostumados a fazer como: mexer no celular, desenhar, contar histórias sobre suas vidas etc. Nestes casos, que são mais comuns eu diria, é necessário que o professor vista a sua camisa "SOU PROFESSOR" com letras garrafais. Quero dizer que depende muito da mediação e intervenção do professor para alterar este quadro, REVERSÍVEL e não sei se tenho uma fórmula para isso. É quando eu sou uma espécie de professora-artista, faço uma espécie de "stand up teaching" rs ... É verdade, canto o hino nacional se for preciso em uma aula de história, as fórmulas são escritas como notas musicais e orquestradas, recito poemas com entonações variadas e faço rimas para que alguma aprendizagem fique registrada. Estes alunos me acham muito engraçada, mas só assim que o hipo-atento presta atenção: na diversão!
Outros, podem estudar em uma escola muito fraca, mas DESEJAM aprender, realizar. Trabalham constantemente a sua auto-crítica e auto-aprendizagem. Estes são com quem mais aprendo pois a curiosidade para o saber, me faz agir na mesma direção em busca de mais conhecimento. Estes alunos conduzem as aulas naturalmente, não preciso me desgastar para convencê-lo de que precisa saber porque ele mesmo quer saber sobre tudo. Geralmente os pais me ligam com excelentes notícias e notas...
Aqueles que eventualmente tenham dificuldades provenientes de uma base muito fraca, criam muitas expectativas para que eu seja a única saída para finalmente ler uma nota dez na prova. Estes casos são bastante complexos porque às vezes a criança quer aprender aquilo que os outros sabem, muitos sofrem bulling em decorrência desta ansiedade e geralmente estão acima do peso, possuem falhas de laços afetivos na família e causam um sentimento de impotência da minha parte.
Ser mais uma mãe para os meus alunos é a melhor coisa do mundo, mas os que acreditam que eu farei este papel sozinha acabam se frustrando. Não tem muita saída, senão investir e motivá-lo cada vez mais, de maneira afetuosa e transparente.
9 de novembro de 2011
Quem me navega é o mar -A Educação é uma bússola
“À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”. Jaques Delors
Concordo com a metáfora utlizada por Delors para compreender os elementos fundamentais da educação e considero que a bússola a que se refere é o professor, a escola, seu círculo social e a família. Estes elementos, são como quatro pontos cardeais, fundamentais para que o aluno efetivamente construa os pilares essenciais da educação que são:
Concordo com a metáfora utlizada por Delors para compreender os elementos fundamentais da educação e considero que a bússola a que se refere é o professor, a escola, seu círculo social e a família. Estes elementos, são como quatro pontos cardeais, fundamentais para que o aluno efetivamente construa os pilares essenciais da educação que são:
- Aprender a conhecer
- Aprender a fazer
- Aprender a conviver
- Aprender a ser
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